- Gostaria de escrever algo, eu disse.

“Escrever porque talvez, talvez, eu saiba o que é isso. Escrever para que de alguma forma, possa transformar as coisas que tanto me afligem em simples palavras - e como a simpleza das palavras, transformá-las em algo simples também.”

Mas nem sempre o que o coração sente é tão simples assim. E por incrível que pareça, meus caros leitores invisíveis, não falo só de amores - apesar de também o estar falando deles. A vida nos atinge, entendem? Atinge de todas as formas, todos os jeitos, todas as direções, todos os sentidos. Poderia ser um vetor, acaso tivesse módulo - com este talvez pudéssemos pressentir a força que nos atinge. Mas nem isso. A vida nos surpreende, certas vezes até com uma vida nova… Isso não vem ao caso, no entanto.

Me viro para a plateia invisível de um teatro empoeirado e grito, grito tudo o que sinto, tudo o que me atinge. E ele me atinge, eles me atingem. Não ouso citar nomes, no entanto; rótulos tiram o teor poético de qualquer coisa. Me atingem porque me preocupo, porque quero-lhes bem, porque tudo o que faço é amá-los. Seria isso o amor? Parafraseando Paulo e respondendo-me à minha própria pergunta, é fato que o amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Jesus nos amou. A cruz é o exemplo perfeito desse versículo das Escrituras. Essa seria a minha crucificação, então? Amar sem precedentes e sem limites? 

Talvez eu seja fraca. Talvez não suporte a dor que é sentir o mundo inteiro nas minhas costas - quero dizer, não sou Jesus. No entanto, até pensando assim o amor fala mais alto. Porque o amor antes é eterno. Porque viver é amar, e eu vivo. Bem, pelo menos tento. 

- Doutor, doutor. Tenho um problema: sofro de excesso de amor.

- Bem, minha querida, pelo que me parece, o quadro realmente é grave. Tenho um remédio, porém, extremamente eficaz para isso.

- Qual é?

- Ame.